
17 setembro 2009
Filme: Slumdog Millionaire

Filme: Vicky Cristina Barcelona

“Vicky Cristina Barcelona” chega bem perto de “Match Point” não só pela qualidade mas pelo frescor com que o roteiro é filmado: Allen levou para os belos cenários de Barcelona – ainda que a Barcelona de cartão postal – uma história desta vez bem mais para o romântico, com uma sensualidade muito bem retratada pelo excelente elenco, e pitadas de humor mas também de dor, em meio a inevitáveis questionamentos morais – tanto dos personagens quanto do público.
Woody nos proporciona uma história leve e divertida que não tem pretensão de ser profunda, complexa ou algo do tipo, simplesmente lidando com as dificuldades, delícias e improbabilidades dos relacionamentos. Vicky Cristina Barcelona é um filme para quem gosta do estilo sarcástico do diretor e que corresponde certamente aos fãs que têm a oportunidade de se identificar e rir com as situações criadas pelo comediante - que há quase 40 anos contribui com sua genialidade para o mundo da sétima arte.
Detalhe para a trilha sonora: Adorável!
08 setembro 2009
Filme: Ensaio sobre a cegueira

O surto de cegueira que afeta uma cidade fictícia com pessoas que não são caracterizadas por seus nomes, traz em pauta a questão dos valores que os temos conosco e com o próximo, digo isso, pois me pergunto até que ponto você se aproveitaria de pessoas que estão em um estado físico de desvantagem frente à sua e como pessoas que estão no mesmo estado que você tenta se aproveitar da massa, através de corrupção e favores sexuais.
O diretor rodou o filme em países diferentes para criar a cidade que José Saramago descreveu no livro Ensaio sobre a Cegueira, Brasil com a sua mega capital São Paulo estava lá ajudando a montar o cenário, junto com o Japão que trouxe varias ruas de Tóquio para incrementar o ambiente do filme. Você fica se perguntando: Como é que conseguiram fazer isso na Rua Augusta, Marginal Pinheiros, Catedral da Sé?
Julianne Moore como atriz principal está sensacional como esposa do médico (Mark Ruffalo), a única que não se contagia com a cegueira, vai para quarentena fingindo estar cega. Ela vê o caos que o lugar fica depois de estar super-populado, os problemas de limpeza, escassez de comida, etc.
O surto de cegueira que afeta uma cidade fictícia com pessoas que não são caracterizadas por seus nomes, traz em pauta a questão dos valores que os temos conosco e com o próximo, digo isso, pois me pergunto até que ponto você se aproveitaria de pessoas que estão em um estado físico de desvantagem frente à sua e como pessoas que estão no mesmo estado que você tenta se aproveitar da massa, através de corrupção e favores sexuais.
Meirelles fez um excelente trabalho, um filme que mexe com os sentidos daqueles que enxergam.
Não se deixem enganar por qualquer desprestígio quanto ao trabalho do elenco. Julianne está mais uma vez maravilhosa, uma das grandes atrizes do nosso tempo. Alice Braga é a grande surpresa, com uma atuação forte e madura. E Gael está mais uma vez excelente no papel de vilão.
Assistam ao filme sem medo, principalmente se já leram o livro. Se não leram, tentem não se incomodar com detalhes que foram muito criticados mas são fiéis e justificáveis, como a ausência de nomes dos personagens, a localização incerta das cenas, entre outras minúcias que são importantes para o livro e para o filme, não podendo ser de outra forma.
03 setembro 2009
Filme: Olhar estrangeiro

O ritmo do filme é ótimo, com a exibição de cenas das películas que de alguma forma retrataram o Brasil sob o ponto de vista estrangeiro, sob a ótica do clichê. Estas cenas são clarificadas, como diz a sinopse, por entrevistas com diretores, roteiristas produtores e atores e pontuadas com depoimentos de gringos anônimos sobre como vêem o Brasil.
O filme chega a um ápice com o depoimento de um gringo, provavelmente de um “afro-norte-americano”, que mostrou possuir algum conhecimento sobre nossa Pátria Amada. O que eu sei do Brasil? Sei que não entendo os brasileiros: acontece de tudo no país de vocês e vocês não fazem nada, ficam com cara de bunda, sem tomar atitude. Quero ver o dia em que vocês vão mudar as coisas lá...Interessante, não?
Filme: Piaf - Um Hino ao Amor

Marion Cotillard se agiganta como Piaf, estoura na tela grande e nos brinda com uma interpretação impagável e incontestável de uma artista que nunca se enquadrou, viveu solta num sistema que a acolheu, graças ao dom de cantar, concedido pelos deuses.
O filme no conecta com a utópica e necessária visão do artista que foi consumida pela arte e fez dela seu alimento. Para ter em casa e rever, assim não esqueceremos os predicados que compõe o “forro” de uma grande artista. Edith Piaf – Um Hino ao Amor é inesquecível.
Pablo Neruda: Llénate de mi
Llénate de mí. Ansíame, agótame, viérteme, sacrifícame. Pídeme. Recógeme, contiéneme, ocúltame. Quiero ser de alguien, quiero ser tuyo, es tu hora. Soy el que pasó saltando sobre las cosas, el fugante, el doliente. Pero siento tu hora, la hora de que mi vida gote e sobre tu alma, la hora de las ternuras que no derramé nunca, la hora de los silencios que no tienen palabras, tu hora, aIba de sangre que me nutrió de angustias, tu hora, medianoche que me fue solitaria. Libértame de mí. Quiero salir de mi alma. Yo soy esto que gime, esto que arde, esto que sufre. Yo soy esto que ataca, esto que aúlla, esto que canta. No, no quiero ser esto. Ayúdame a romper estas puertas inmensas. Con tus hombros de seda desentierra estas anclas. Así crucificaron mi dolor una tarde. Libértame de mí. Quiero salir de mi alma. Quiero no tener límites y alzarme hacia aquel astro. Mi corazón no debe callar hoy o mañana. Debe participar de lo que toca, debe ser de metales, de raíces, de alas. No puedo ser la piedra que se alza y que no vuelve, no puedo ser la sombra que se deshace y pasa. No, no puede ser, no puede ser, no puede ser. Entonces gritaría, lloraría, gemiría. No puede ser, no puede ser. Quién iba a romper esta vibración de mis alas? Quién iba a exterminarme? Qué designio, qué palabra? No puede ser, no puede ser, no puede ser. Libértame de mí. Quiero salir de mi alma. Porque tú eres mi ruta. Te forjé en lucha viva. De mi pelea oscura contra mí mismo, fuiste. Tienes de mí ese sello de avidez no saciada. Desde que yo los miro tus ojos son más tristes. Vamos juntos, rompamos este camino juntos. Será la ruta tuya. Pasa. Déjame irme.
Ansíame, agótame, viérteme, sacrifícame. Haz tambalear los cercos de mis últimos límites.Y que yo pueda, al fin, correr en fuga loca, inundando las tierras como un río terrible, desatando estos nudos, ah Dios mío, estos nudos destrozando, quemando, arrasando como una lava loca lo que existe, correr fuera de mí mismo, perdidamente, libre de mí, furiosamente libre. Irme, Dios mío, irme!
Ansíame, agótame, viérteme, sacrifícame. Haz tambalear los cercos de mis últimos límites.Y que yo pueda, al fin, correr en fuga loca, inundando las tierras como un río terrible, desatando estos nudos, ah Dios mío, estos nudos destrozando, quemando, arrasando como una lava loca lo que existe, correr fuera de mí mismo, perdidamente, libre de mí, furiosamente libre. Irme, Dios mío, irme!
01 setembro 2009
Livro: Enfim, juntos! (Anna Gavalda)

Virgínia Wolf - O tempo e o espírito
O tempo, embora faça desabrochar e definhar animais e plantas com assombrosa pontualidade, não tem sobre a alma do homem efeitos tão simples. A alma do homem, aliás, age de forma igualmente estranha sobre o corpo do tempo. Uma hora, alojada no bizarro elemento do espírito humano, pode valer cinquenta ou cem vezes mais que a sua duração medida pelo relógio; em contrapartida, uma hora pode ser fielmente representada no mostrador do espírito por um segundo.
Filme: O Caminho para Guantánamo

No filme vemos os próprios americanos agindo como animais, maltratando, mentindo e humilhando prisioneiros afegãos e paquistaneses nos campos de concentração na região de Cuba que dá nome ao filme.
Três desses prisioneiros e amigos entre si, londrinos, porém muçulmanos, contam sua história sobre a viagem que acaba muito mal quando são confundidos com membros da Al-Quaeda.
Os personagens reais narram, enquanto a reconstituição extremamente realista é feita por atores. As situações são desesperadoras. Isso sim é uma viagem ao inferno.. É um filme imperdível. Após assistirmos passamos a nos questionar como é possível o imenso silêncio que se faz desse tema no nosso país.
Filme: The King (Com Gael Garcia Bernal)

Gael, com um inglês perfeito e sem sotaque algum, interpreta o bom moço Elvis que, após ser dispensado da Marinha norte-americana, volta à casa na busca do pai que nunca conheceu.
Para tanto ele viaja até a pequena cidade de Corpus Christi, no interior do Texas, onde encontra o pastor evangélico David Sandow (William Hurt), que é extremamente conservador. Elvis quer que David o reconheça como seu filho, o que é recusado pelo pastor, que alega ter agora uma nova família. Na cidade ele conhece Malerie (Pell James), uma jovem de 17 anos, que é sua meia-irmã, por quem se apaixona.
Daí em diante o filme faria até o cineasta britânico Alfred Joseph Hitchcock levantar-se do sepulcro e aplaudir de pé. The King se tornou um título forte e boníssimo em diálogos e planos seqüênciais "quase" longos e, lembrei-me novamente de Hitchcock nos planos gerais usados neste longa, usufruindo de uma insigne trilha sonora.
Filme: Ônibus 174

A história do seqüestro é contada paralelamente à história de vida do seqüestrador, intercalando imagens da ocorrência policial feitas pela televisão. É revelado como um típico menino de rua carioca transforma-se em bandido e as duas narrativas dialogam, formando um discurso que transcende a ambas e mostrando ao espectador porque o Brasil é um país é tão violento.
Baseado numa extensa pesquisa sobre a cobertura do crime, com entrevistas e documentos oficiais, o filme é uma investigação cuidadosa do seqüestro - focalizando Sandro do Nascimento, sua infância, e como ele inevitavelmente estava destinado a se tornar um bandido.
Filme: Questão de vida

Filme: O caminho para casa

O romance que conduz essa estória atemporal – e sem nacionalidade ou língua – não se concretiza no contato entre os corpos: ela emociona pela devoção através dos dias, das tempestades, da solidão, da espera constante. Se resume no desespero em encontrar um objeto perdido pelo caminho, em reconstruir uma singela vasilha de comida com um significado especial. O presente é apresentado em preto e branco, e a estória que ele busca no passado é convertida em cores esfuziantes – traduz a riqueza de sentidos a nostalgia preservada, a alegria em contrapartida à tristeza do tempo presente.Zhang Yimou fala uma língua universal que tem um apelo maior para quem já viveu ou sonha viver um grande amor. “O Caminho para Casa” é a sua declaração de amor, belíssima, a essa simples possibilidade.
Arthur Schopenhauer - Indulgência com os Outros
Para sobreviver por este mundo afora, é conveniente levar consigo uma grande provisão de precaução e indulgência. Pela primeira seremos protegidos de danos e perdas, pela segunda, de disputas e querelas. Quem tem de viver entre os homens não deve condenar, de maneira incondicionada, individualidade alguma, nem mesmo a pior, a mais mesquinha ou a mais ridícula, pois ela foi definitivamente estabelecida e ofertada pela natureza. Deve-se, antes, tomá-la como algo imutável que, em virtude de um princípio eterno e metafísico, tem de ser como é. Quanto aos casos mais lamentáveis, deve-se pensar: «É preciso que haja também tais tipos no mundo.» Do contrário, comete-se uma injustiça e desafia-se o outro a uma guerra de vida ou morte, já que ninguém pode mudar a sua própria individualidade, isto é, o seu carácter moral, as suas faculdades de conhecimento, o seu temperamento, a sua fisionomia, etc. Ora, se condenarmos o outro em toda a sua essência, então nada lhe restará a não ser combater em nós um inimigo mortal, pois só lhe reconhecemos o direito de existir sob a condição de tornar-se uma pessoa diferente da que invariavelmente é. Portanto, para vivermos entre os homens, temos de deixar cada um existir como é, aceitando-o na sua individualidade ofertada pela natureza, não importando qual seja. Precisamos apenas de estar atentos para a utilizar de acordo com o permitido pelo seu género e pela sua condição, sem esperar que mude e sem condená-la pura e simplesmente pelo que ela é. Eis o verdadeiro sentido do provérbio: "Viver e deixar viver". A tarefa, contudo, não é tão fácil quanto justa; feliz é quem pode evitar para sempre certas individualidades. Para aprender a suportar os homens, deve-se praticar a própria paciência em relação a objectos inanimados, os quais, em virtude de uma necessidade mecânica ou de qualquer outra necessidade física, resistem tenazmente à nossa acção. Para tal exercício, há oportunidade diária.
Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'
Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'
Livro: Contos Fantásticos (Guy de Maupassant)

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