
01 maio 2008
Dança: Pina Bausch



Livro: A mulher desiludida - Simone de Beauvoir

Inicialmente publicado em 1967, este livro consiste em três contos curtos sobre o tema da vulnerabilidade da mulher, no primeiro, ao processo de envelhecimento, no segundo à solidão, e, no terceiro, à indiferença crescente do ser amado. A mulher desiludida, trás três histórias, cada qual um estudo apaixonado e refinado de uma mulher presa pelas circunstâncias, tentando reconstruir a sua vida. Na primeira história, ‘A idade da discrição’, uma escolástica de sucesso que se aproxima rapidamente da meia-idade enfrenta um choque duplo – o abandono do seu filho da carreira que ela escolheu para ele e a rejeição critica e áspera do seu último trabalho académico. ‘O Monólogo’ é uma história da véspera de Ano Novo de uma mulher solitária, consumida pela amargura e pela solidão depois do marido e do filho a terem deixado. Finalmente, na ‘Mulher destruída’, Simone de Beauvoir conta a história de Monique, tentando desesperadamente ressuscitar a sua vida após o seu marido lhe confessar um caso com uma mulher mais jovem. Compassiva, lúcida, cheia de engenho e sabedoria, a visão de Simone de Beauvoir das desigualdades e complexidades das vidas das mulheres é inultrapassável.
Filme: Little Miss Sunshine

Filme: Munich (Steven Spielberg)
Em 1972 onze atletas israelitas que concorriam nos Jogos Olímpicos de Munique foram tomados como reféns e assassinados por terroristas palestianianos. Munich conta-nos a história do que aconteceu a seguir. Eric Bana capta na perfeição tanto a dureza necessária à vingança, como o desespero que a sucede, no papel mais importante da sua carreira (até então). Destaco também a atenção ao detalhe no guarda-roupa, escolha de locais e até a excelente escolha de automóveis.É interessantíssimo também destacar a congregação de três fenômenos, abordados brilhantemente nesse projeto cinematográfico: o esporte, a espetacularização dos fatos, e o terrorismo internacional. O link destes três, elementos absolutamente contemporâneos, que caberiam perfeitamente como palavras-chave para entender o século XX, norteia a importância de compreender um fato histórico como o Massacre de Munique.
Filme: A vida é um milagre (Zivot Je Cudo)
Assisti esse filme em Barcelona em Janeiro de 2005 no Cines Renoir. Esse filme me levantou! Drama divertido por assim dizer... Esperança, vida e milagres...Tragédia q vira comédia...Origem do filme: Iugoslávia / França
Bósnia, 1992. Sérvio de Belgrado, o engenheiro Luka (Slavko Stimac) instala-se em um vilarejo no meio do nada com sua mulher, a cantora lírica Jadranka (Vesna Trivalic), e Milos (Vuk Kostic), o filho adolescente. Luka planeja construir uma estrada de ferro que vai tornar a região um paraíso turístico. Imerso no trabalho e cheio de otimismo, ele permanece surdo à constante ameaça de guerra. Quando o conflito explode, sua vida vira de cabeça para baixo, principalmente depois de a mulher fugir com um músico e o filho ser convocado para o combate.Para piorar a situação, Luka é nomeado pelo exército sérvio como guardião de Sabaha (Vesna Trivalic), uma refém muçulmana por quem acaba se apaixonando. Só que a mulher será usada como moeda no resgate de outro refém: seu filho Milos, mostrando como a vida pode ser irônica. Que poderia ser melhor para um povoado que uma mágica ferrovia para atrair turistas? Que poderia ser pior para o turismo do que a guerra?
Filme: Crônica de uma fuga

Filme: O maquinista (Com Christian Bale)

Bale perdeu uns trinta quilos e aparece realmente mais morto do que vivo. Aliás é impossível ao princípio do filme não ficar de imediato surpreendido pela figura de Bale, ao qual se pode verdadeiramente aplicar a expressão ser de pele e osso. Mas a interpretação de Bale não se resume a esta mudança física radical, o que por si só seria um show-off particularmente inútil. Christian Bale entrou também completamente na mente perturbada de Trevor Reznick, sendo que emagrecer até ao limite foi apenas um meio para possuir a sua personagem. Quem acompanha a carreira do actor não ficará portanto surpreendido por saber que Bale está novamente imperial num papel muito difícil. O olhar, as expressões faciais, a sua forma de estar, tudo está perfeito e, mais importante ainda, esta procura da perfeição por parte do actor está cá, antes de tudo, para servir a história. No final, não há dúvidas que o filme deve muito a performance de Christian Bale, “O Maquinista” não teria metade do seu impacto sem esta inesquecível e assombrosa interpretação.
O filme conta ainda com um excepcional trabalho de fotografia e com uma banda sonora tão doentia quanto a própria história. Em suma: audacioso, surpreendente, psicologica e filosoficamente estimulante. Um grande exercício de cinema.
07 abril 2008
Filme: Azul escuro quase preto (Azul oscuro casi negro)
AzulOscuroCasiNegro ganhou 16 prêmios e foi indicado a outros 10. Entre os prêmios que levou, destaque para os de ator revelação para Quim Gutiérrez, de “novo diretor” para Daniel Sánchez Arévalo e de ator coadjuvante para Antonio de la Torre no Prêmio Goya 2007 – o principal prêmio da cinematografia espanhola. Em outro festival espanhol, o de Málaga, Daniel Sánchez Arévalo levou dois prêmios: melhor roteiro e um prêmio especial do júri. No Festival de Estocolmo, Arévalo levou também o prêmio de “melhor debut de diretor”. Os atores de AzulOscuroCasiNegro fazem um trabalho muito bom, sem muitos cacoetes ou exageros. Destaco especialmente o trabalho de Quim Gutiérrez (que além de interpretar bem seu papel é muito fofo! e tem apenas 26 aninhos… hehehehehe), Antonio de la Torre, Héctor Colomé (está perfeito em um papel muito difícil de interpretar) e Manuel Morón (gosto deste ator). As atrizes estão bem, ainda que nenhuma das duas me pareçam excepcionais – talvez esteja um pouco melhor Marta Etura.
02 abril 2008
Filme: As horas
Nicole Kidman atua no papel da famosa escritora inglesa Virginia Woolf durante o processo criativo do livro "Mrs. Dalloway" em 1920. Toda a angustia e depressão da novelista são sentidos pelo espectador, e, gracas a um nariz prostético, Kidman está irreconhecível.Juliane Moore é Laura Brown em 1949, uma mulher casada, gravida e infeliz que vive nos anos 50 e esta lendo o livro "Mrs. Dalloway". As transformações que ocorrem com a sua personagem - afetada pelo livro - são crusciais para o desenvolvimento do filme, e infelizmente o porque eu não posso revelar.Meryl Streep atua como Clarissa, nos dias atuais. Uma lésbica que mora em Nova Iorque em 2001 e tem como "tarefa" cuidar de seu amigo (Ed Harris, impecável no papel de um poeta morrendo de AIDS), que a apelidou de Mrs. Dalloway. Revelar o porquê do apelido, mais uma vez, seria estragar algumas das surpresas que o filme guarda.As três histórias são contadas as mesmo tempo, e muito dinâmicamente. De ínicio, o filme pode parecer meio lento, mas o roteiro é tão bem escrito que pelo fim do filme - surpreendente, por sinal - você sente pelos personagens como se você já os conhecesse há anos.17 março 2008
Filme: A Massai branca
Muitas vezes, fazer um bom filme significa apenas contar uma história bem contada. Se é que a palavra “apenas” pode vir antes da expressão “contar uma história bem contada”. Este é o caso da produção alemã “A Massai Branca”. Os cinéfilos apaixonados, ávidos por inovações na linguagem cinematográfica ou por ousadias técnicas e narrativas, talvez não gostem. Afinal, “A Massai Branca” é “apenas” uma história bem contada. E história real. A partir do livro autobiográfico de Corinne Hofmann, a diretora Hermine Huntgeburth narra de maneira sóbria e cronológica a incrível saga de Carola (Nina Hoss), uma mulher suíça, de classe média alta, que passa as férias no Quênia em companhia do namorado. Tudo transcorre da maneira mais normal possível até o momento em que ela conhece Lemalian (o estreante Jacky Ido, nascido em Burkina-Faso), um belo guerreiro negro da cultura queniana denominada Massai, por quem ela se apaixona louca e imediatamente. O rapaz passa a ser uma obsessão na vida de Carola. A ponto dela abandonar o namorado e se embrenhar pelos mais subdesenvolvidos caminhos africanos em busca de Lemalian.A atração pelos opostos – de forma extrema – é uma das questões básicas levantadas pelo filme “A Massai Branca”. Até que ponto são suportáveis os choques culturais vividos por uma européia branca de formação capitalista e um pastor de cabras africano que habita uma comunidade nas montanhas? Até onde pode chegar a determinação de uma pessoa disposta a abandonar todas as suas raízes por amor? Ou seria apenas uma obsessão? Uma vontade desesperada de mudança?O filme não pretende responder a estas questões irrespondíveis, muito menos criar cinematograficamente em cima do tema. Talvez a opção da diretora pela narrativa mais simples e linear possível seja justamente a de deixar toda a perturbação apenas para a trama em si, que já é por si só enigmática e inacreditável. Mesmo baseado numa história acreditável. De certa forma, esta simplicidade funciona: “A Massai Branca” é um filme que se acompanha com interesse e curiosidade até a última cena... como sempre acontece com as histórias bem contadas.
04 março 2008
FIlme: Irreversível (Com Monica Belucci e Vincent Cassel)
O tão aclamado novo trabalho de Gaspar Noé na direção, destaque no Festival de Cannes em 2002, vem sendo conhecido por ser um dos filmes campeões de afastar as pessoas de dentro dos cinemas. E não só as pessoas desavisadas, que assistem a um filme que é totalmente diferente do que esperavam, o que acontece regularmente; também as pessoas de estômago fraco e que não gostam de violência, ou ao menos não estão preparados para ela de forma tão explícita. Irreversível tem duas cenas especialmente violentas: em uma delas um personagem utiliza um extintor de incêndio para desfigurar totalmente a cara de um homem; noutra, uma mulher é estuprada dentro de um túnel e depois espancada até ficar em coma.A história em si é simples, e se fosse contada linearmente seria de muito mais fácil entendimento, o que, é bom deixar claro, não é um fator negativo. Mas a edição é primorosa (um dos destaques do filme), e Noé soube dosar bem todas as cenas. As imagens são cruas e tremidas, em boa parte num ritmo nauseante. Recomenda-se estômago forte e mente aberta para assistir ao filme sem se sentir ofendido. No mínimo, Irreversível é uma experiência bastante interessante, pro bem ou pro mal.
19 fevereiro 2008
Filme: Studio 54
Na época áurea do "disco", Studio 54 foi a discoteca idealizada por Steve Rubell (Mike Myers), que agitava a vida de Nova York com todo o frenesi que lhe deu uma reputação internacional. Lá Rubell tentava transformar seu sonho em realidade ao dar as melhores festas que o mundo tinha visto e fazer com que elas durassem para sempre, com toda a decadência e excessos da época. Rubell criou um lugar onde a fantasia era a realidade, pois não haviam nem rótulos, nem regras. Diversos acontecimentos que envolvem esta discoteca são narrados pela ótica de Shane O'Shea (Ryan Phillippe), um jovem frentista de Nova Jersey que, em 1979, quando tinha dezenove anos, não estava satisfeito com a mesmice da sua vida. Foi até Nova York, e em meio aos anos 70, é contratado como barman da badalada boate, onde passa a cruzar com pessoas ricas e famosas e tem a oportunidade de ver a ascensão e decadência desta famosa casa noturna.
Filme: It's all gone Pete Tong
Imagine o 'drama' de um DJ que perde a audição. Pois é: "It's all gone Pete Tong" (analogia à expressão "It's all gone wrong"), um dos poucos filmes que se passa na cena eletrônica, é uma comédia que relata a história de Frankie Wilde, um DJ que fica surdo. Gravado na ilha espanhola de Ibiza, o filme conta com a participação de DJs reais interpretando eles mesmos, como Carl Cox, Tiësto e o próprio Pete Tong. Misturando cenas gravadas dentro dos clubes com clichês da clubland (como a relação entre o DJ e seu empresário, ou ainda o consumo freqüente de drogas pelo personagem principal), o filme já conquistou alguns prêmios em festivais norte-americanos e no Festival de Toronto, no Canadá, e vem recebendo elogios da crítica especializada. O filme é recomendado somente para maiores de 17 anos, em virtude das cenas fortes (de uso intenso de cocaína e heroína), tristes, depressivas (como seu período de loucura pós-surdez total), nudez, sexo e álcool.
Filme: Beautiful Boxer
Beautiful Boxer é um filme tailandês, de 2003 o qual conta com uma premissa incrível: a história real de um garoto que sonha em se tornar uma mulher, de fato, apelando para a cirurgia de mudança de sexo. Porém, sua família é muito humilde e não terá as condições para que o sonho do menino se realize; ele deve correr atrás disso e, por acaso, se vê como um excelente lutador de boxe tailandês e usará esse “dom”, com o intuito de juntar dinheiro para a operação. O garoto chama-se Nong Toom e é vivido pelo desconhecido ator tailandês Asanee Swan. Sua mãe o apóia, mas seu pai tenta encobrir o fato de ter um filho transexual. Após vencer uma luta, por acaso, numa feira da cidade, Toom é aceito numa academia de luta e logo se torna um dos melhores lutadores do local. Porém, seu segredo feminino é descoberto pelo treinador, mas isso não é um problema: este tem a idéia de o menino sempre lutar maquiado, isto é, assumindo um personagem feminino na hora da luta, mas se comportando e golpeando como homem. Jogada de marketing? Para a maioria, sim. Entretanto, Toom sentia-se à vontade vestido de mulher e assume o que realmente quer ser. Todos, exceto seu pai (o qual, na verdade, fica em silêncio), aceitam Toom do jeito que ele é e terminamos com um final absolutamente lindo.Muito mais que querer falar de homossexualismo, o diretor Ekachai Uekrongtham quis contar essa belíssima história real e aproveitou para mostrar algumas coisas. Por exemplo: o “ser mulher” e o “ser homem” na visão de uma mesma pessoa; as dificuldades, alegrias e diferenças que há entre homem e mulher, mas de forma originalíssima. E o tema pode parecer muito ousado e delicado, mas a direção é tão sensível que é um prazer assistir tal filme. A maneira segundo a qual ele é narrado é excelente, já que Toom vai contando, desde o começo do filme, a sua vida à um jornalista. O ator Asanee Swan é o trunfo supremo do filme. Poucas vezes vi uma pessoa se jogar integralmente dentro de um personagem e atuar única e exclusivamente com a alma.
14 fevereiro 2008
Filme: Diário de uma paixão
O filme mostra um homem que visita uma mulher num asilo todos os dias, para ler para ela. Ele sempre lê a mesma história. A história sobre um casal que se apaixona. Ela é rica e ele é pobre, os pais não aprovam e a partir daí já sabe o resto, né? Pois é óbvio assim. Essa não é a beleza do filme.A beleza é descobrir que o homem que lê é o personagem da história, e a mulher pra quem ele lê é a mocinha (em suas fases adolescentes, intrepretados por Rachel McAdams e Ryan Gosling). Ela tem uma doença que acaba com sua memória. Então ele lê para ela todo dia pra que ela possa se lembrar dele no final do dia.Se isso não é romantismo, eu não sei mais o que pode ser. James Garner está simplesmente perfeito. Desde o primeiro momento o filme nos doa belíssimas paisagens, diálogos coerentes e um carisma fortíssimo dos protagonistas, as cenas do passado tem encanto especial e a emoção transmitida é daquelas que exigem o desprendimento de qualquer tipo de vergonha por parte do espectador. Bem, Diário de uma Paixão tem a química perfeita de seus personagens, uma sequência muito boa de idéias e é um filme à moda antiga que prende a atenção por ser um filme de alto grau de sensibilidade e romântismo.
Poem: Eu - Florbela Espanca
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...
Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
Sou talvez a visão que alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!
Filme: Evil - Raízes do mal (Ondskan)
O dinarmaquês Ondskan (que saiu no Brasil com o título "Evil - Raízes do Mal"), conta a história de Erik, um adolescente problemático de 16 anos, cuja vida foi pautada pela violência. Atormentado por um padrasto abusivo, Erik responde ao mundo da única forma que aprendeu, com violência. Após ser expulso de escolas públicas, Erik é enviado para Stjärnberg, um prestigiado colégio privado. Ciente de que esta poderá ser a sua última oportunidade, o jovem pretende modificar-se. No entanto, por trás da prestigiada fachada do colégio, regido por um rigoroso e por vezes injusto código, esconde-se um novo tormento. Erik é então rapidamente confrontado com uma nova e perigosa escolha: combater os seus opressores e arriscar-se à expulsão, ignora-los e sofre as suas humilhações ou deixar que os outros companheiros as sofram por si. Filme: Soldados de Salamina
O filme discorre sobre um fato que até hoje soa como um fantasma que deixou seqüelas permanentes na história da Espanha, a Guerra Civil Espanhola (um trauma histórico). A trama é construída a partir da encomenda de uma publicação sobre o tema para uma escritora e professora de História, Lola, que por sua vez já estava saturada do assunto. Contudo, a personagem inicia um minucioso trabalho de pesquisa e reconstrução dos acontecimentos, munida de uma vasta produção literária sobre o tema “Guerra Civil Espanhola”, o material histórico que será o fio condutor da trama, é o livro de um personagem que sobreviveu a um fuzilamento no final da Guerra.A publicação do personagem Rafael Sanchez Mazas, chama-se “O dia em que morri fuzilado”. Rafael Mazas foi um dos fundadores da Falange Vermelha, facção que apoiava o governo totalitário do General Franco na Espanha, durante o final da década 30. Capturado por soldados Republicanos (contrários a Franco), Mazas foi enclausurado e contava os dias que lhe restavam até a hora da sua execução e de outros falangistas. A escritora passa a montar e unir as peças de um quebra-cabeça a partir de suas fontes históricas, que variam de um vasto conteúdo bibliográfico, passando por depoimentos de moradores locais que vivenciaram o período até chegar a um personagem que participou do acontecimento, trabalhando dessa forma a narratividade e a relação entre passado, memória e futuro. Um dos grandes méritos do filme de DavidTrueba além de aspectos técnicos como a bela fotografia, dando um tom sombrio sobre o ambiente, além da montagem do roteiro trabalhando com flashbacks a fim de enriquecer a narrativa histórica, esse aspecto foi a maior virtude do diretor ao apresentar um belo trabalho de reconstituição histórica e reconstrução da memória. Vale lembrar a importância da canção Suspiros de España no filme.
11 fevereiro 2008
Book: Le Procès ( O Processo - Franz Kafka)
Espera por mim e eu voltarei..."Constantin Simonov, 1941"
Espera tão somente, espera,
com a tristeza das chuvas amarelas,
espera, na janela com a neve presente,
espera, no forte calor,espera, quando um amigo não espera,
esquecido na noite anterior.
Espera, quando de um lugar distante já não chegam cartas,
espera, mesmo quando o que espera junto a ti se farta.
Espera por mim, e eu voltarei,
não queiras convencê-los que sabem de cor
que é tempo de esquecer.
Pois que acreditem mãe e filho que de mim não há traço.
Que os amigos distraídos esperem, junto ao fogo, num abraço,
curtindo o vinho grave à alma que padece...
Espera. E em beber com eles não te apresses.
Espera por mim, e eu voltarei, para contrariar toda morte.
Que quem não me esperou diga: - teve sorte.
Não entendas, nem esperes que entendam,
que no meio do fogo a tua esperança me salvou.
O que eu vi viverei apenas contigo,
pois es simples e sabes esperar,
como nenhum outro amigo...
Filme: Tiros em Ruanda (Shooting dogs)
Baseados em acontecimentos reais, Tiros em Ruanda é um filme que, na verdade, pergunta: o que você arriscaria para fazer a diferença? Durante 30 anos, o governo da maioria Hutu perseguiu a minoria Tutsi. Sob a pressão do ocidente, o presidente Hutu concordou em dividir o poder com os Tutsis. 6 de Abril de 1994: um genocídio inicia-se. Quase um milhão de pessoas são mortas em 100 dias, e apesar da indiferença da ONU, dois homens estavam dispostos a fazer a diferença. Um padre inglês e seu ajudante juntam forças e coragem para enfrentar armas e facões, tendo que fazer uma escolha: ficar junto da minoria ou fugir para a Europa.Foi filmado nos lugares exatos nas quais as cenas se referem e grande parte da equipe técnica do filme e alguns figurantes são sobreviventes do genocidio de 1994. Não imagino como deve ter sido doloroso a reconstituição do terror que viveram, mas é um feito que merece ser elogiado.
A estreia em circuito comercial, chegou mal divulgada e mal aproveitada. Deve ser um dos filmes mais subaproveitados dos ultimos tempos.
Shooting Dogs é um filme cruel, angustiante e revoltante. Contorce-se no banco e fecha-se os olhos para não ver os corpos abandonados, as crianças mortas à catanada, o sangue inocente espalhado nas paredes, a vandalização dos cadavares. É um conflito explicito, sob o olhar das Nações Unidas e do mundo. É um conflito de Joe e Christopher perante o abandono ou a impotência. É um conflito de quem vê, pela angustia ou pela vontade de parar.
Filme: O Protetor

O melhor filme de ação de todos os tempos... Kham (Tony Jaa), rapaz tailandês, jovem lutador tem um elefante de estimação que é raptado por traficantes de animais. Para resgatá-lo, ele vai para a Austráli que nem um rolo compressor pra cima dos seus inimigos. Mas a simplicidade da história trabalha a favor do filme, deixando o pau comer solto, que no final das contas é o que importa. E o pau come solto DE VERDADE. Segundo filme que assisto com essa jovem promessa tailandesa, Tony Jaa, e aqui ele denovo arrebenta depois de Ong Bak (filme que o revelou).As coreografias são para ver e rever. Tony Jaa, mestre em Muay-Thai, é um porradeiro de primeira, uma grande revelação dos últimos anos que não pode passar despercebido por quem gosta de filmes de luta. Para vocês terem uma idéia da potência de Jaa: com menos de vinte minutos de filme ele já enfia uma joelhada voadora na fuça de um, empurrando-o contra uma parede de vidro. Mas o filme contém várias outras cenas memoráveis, como a luta com o capoeirista (Lateef Crowder), a cena em que Jaa luta contra uns quatrocentos capangas e mostra de quantas maneiras diferentes se pode quebrar ossos do corpo humano, a luta contra os quatro gigantas a la Abobo do Double Dragon, e, claro, a cena do prédio com quatro minutos ininterruptos de pancadaria num take só. A cena em questão envolveu muitos atores e teve que ser coreografada e cronometrada até nos mínimos detalhes. O resultado é incrível, e quase fatal: numa das oito tentativas de gravação feitas, um dos figurantes foi derrubado por Jaa de uma grande altura e quase morreu, pois haviam esquecido de colocar o colchão protetor. Tony Jaa segurou o sujeito e o impediu de cair para a morte. a história e os diálogos pouco importam nesse festival de pancada perfeito pra ver com os amigos. Fiquem de olho em outros títulos estrelados por Tony Jaa, como Ong Bak e The Bodyguard 2.
10 fevereiro 2008
Filme: Adeus Lenin!

Filme: OngBak

Quando uma pequena e pacata cidade tailandesa vê a sua preciosa e sagrada estátua Buda Ong Bak ser roubada por um homem sem escrúpulos com motivações financeiras, cabe ao jovem guerreiro Ting (Tony Jaa), especialista em muay-thai, seguir o ladrão até Banguecoque para recuperar o talismã da aldeia. Na senda pela reconquista de Ong Bak, Ting vê-se envolvido numa odisseia de lutas, contra inimigos implacáveis, contra os quais apenas possui uma arma: os seus extraordinários poderes atléticos. O realismo das cenas de luta brutal e as proezas atléticas apresentadas tornaram «Ong Bak» um dos filmes de acção mais comentados dos últimos anos. A fama surgiu primeiro entre os praticantes de artes marciais, mas depois o sucesso foi-se espalhando, até que chamou a atenção do realizador e produtor francês Luc Besson, que adquiriu alguns dos direitos de distribuição internacionais. Em um estilo de filme que era basicamente formado por longas americanos, chineses e japoneses, um filme genuinamente tailandês não fica devendo em nada.
Filme: Dogville (Lars Von Trier)
Para contar essa fábula sinistra dividida em um prólogo e nove capítulos, Von Trier utiliza um único cenário, como no teatro, em que cabe toda a vila. A marcação é feita no chão, incluindo o nome das ruas, das famílias que moram em cada casa e de um cachorro imaginário. Não há portas nem paredes e toda a movimentação do local pode ser vista com uma só tomada. Não há portas nem janelas em Dogville, mas seus moradores se movem como se elas existissem e escutamos o abrir-fechar de trincos e o ranger de dobradiças. O fundo é branco para o dia. Quando é noite, preto. Na pacata cidade surge do nada Grace (Nicole Kidman), uma jovem, de fina estampa, que foge de gângsteres. Não sabemos o que foi sua vida, relações ou lugares, antes de Dogville. Acolhida por Tom (Paul Bettany), que a convence permanecer na cidade, caso conquiste seus moradores. Grace se entranha naquela fechada comunidade e em troca da grandeza d'alma de seus moradores, executará ali pequenos serviços. Grace é procurada. Quando se intensifica o cerco à fugitiva, os habitantes se conscientizam do perigo que é oferecer abrigo à jovem, tornando-se assim, avarentos, cobrando um preço mais alto pela proteção à valiosa forasteira. Punida, aprisionada, Grace será escrava das mulheres e puta dos homens de Dogville. Assim se passam as três horas do filme, propositalmente lerdo no começo, mas que se torna angustiante no decorrer (especialmente nas cenas de sexo) e isso faz com que a escolha da forma não pareça gratuita. Ao final, fotografias de pobres americanos ao som de americans yongs na voz de David Bowie embalam o espectador que é arrancado de sua condição, e já se encontra na impossibilidade de sair dali incólume, sem pensar sobre o que engrandece e o que torna miserável a própria existência.
Filme: A felicidade não se compra
A Felicidade Não se Compra é um filme agradável ao máximo, estrelado pelo inesquecível James Stewart, como George Bailey, o homem que recebe o maior de todos os presentes de Natal. Com um fantástico elenco, incluindo Donna Reed e Lionel Barrymore, este conto natalino de altíssimo astral é dirigido pelo imortal Frank Capra e é considerado o favorito de todos os tempos por fãs e críticos. Este é o tipo de filme que conseguiu sobreviver com o passar dos anos. Mais que isso, consiste num clássico que ficou ainda melhor com a idade, pelo seu visionário conteúdo que o tornou um dos mais belos filmes já feitos. A película acerta nos conceitos mais básicos que todo ser humano deveria ter: compaixão, solidariedade, amor verdadeiro, honestidade…
Com toda essa inocência terna e sincera, A Felicidade Não Se Compra é até hoje um dos mais belos filmes do mundo, pois trata de temas importantes com simplicidade e de maneira tocante sem nunca parecer piegas ou infantil. Seus personagens perfeitos não caem na chatice ou na antipatia, e sim funcionam como o perfeito exemplo de como uma boa pessoa pode ser. Em um mundo capitalista de como era o de 1946, pós-crise de 1929 e o início da reconstrução após a Segunda Guerra Mundial, devíamos refletir em pleno século XXI sobre o que Capra queria nos dizer naquele tempo, sobre os verdadeiros valores da vida.
Ao final, você já está emocionado com tudo o que passou na vida de George, e a mágica do filme está na ligação que você faz entre a vida desse personagem fictício com a sua vida real.







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