Posso dizer , com toda sinceridade , que "Fale com Ela" é um dos melhores filmes "não norte-americano" que já assistí em minha vida , se não for o melhor. É também a melhor obra de Almodóvar , sem sombra de dúvidas , e uma das maiores realizações do cinema europeu. A estória gira em torno de dois homens , Benigno (Javier Cámara) , um enfermeiro , e Marco Zulonga (Darío Grandinetti) , um jornalista. A princípio , essas duas pessoas não têm nada a ver uma com a outra , mas quando a toureira profissional , e namorada de Marco , Lydia (Rosario Flores) entra em coma após ser ferida na arena , os destinos desses dois homens irão se cruzar. Benigno cuida de uma jovem chamada Alicia (Leonor Watling) , também em coma , e é completamente apaixonado por ela. Por isso , a trata como se estivesse "normal" , como se ela ouvisse-o e entendesse-o. Ao ver Marco em situação parecida , o enfermeiro passa a incentivá-lo a fazer o mesmo , a falar com ela. Daí o título do filme. A trama parece simples , mas não é. Ao que vai se desenvolvendo , vai ganhando contornos inesperados , bem ao estilo de Almodávar. E esse cineasta mostra mais uma vez todo seu talento e competância ao conduzir brilhantemente a estória , nunca apelando para clichês e nunca se tornando previsível. Pedro também volta a mostrar uma incrível capacidade para dirigir atores. A dupla central tem uma química impressionante. Rosario Flores aparece com uma personagem imponente , mas ao mesmo tempo frágil (como pode ser constatado na cena da cobra na cozinha de sua casa). Leonor Watling é de uma beleza e pureza invejável. Há ainda a sempre competente Geraldine Chaplin (filha de Charles Chaplin), a belíssima participação de Caetano Veloso e espetáculo de Pina Bausch. Resumindo , "Fale com Ela" é um filme imperdível , uma realização genial , uma verdadeira obra-prima. Recomendável para todos , fãs e não-fãs de Pedro Almodóvar. Afinal , quem não gostar do filme em si , ao menos poderá curtir um delicioso curta-metragem mudo , que Pedro insere de forma brilhante no filme."27 agosto 2009
Filme: Hable con ella (Pedro Almodóvar)
Posso dizer , com toda sinceridade , que "Fale com Ela" é um dos melhores filmes "não norte-americano" que já assistí em minha vida , se não for o melhor. É também a melhor obra de Almodóvar , sem sombra de dúvidas , e uma das maiores realizações do cinema europeu. A estória gira em torno de dois homens , Benigno (Javier Cámara) , um enfermeiro , e Marco Zulonga (Darío Grandinetti) , um jornalista. A princípio , essas duas pessoas não têm nada a ver uma com a outra , mas quando a toureira profissional , e namorada de Marco , Lydia (Rosario Flores) entra em coma após ser ferida na arena , os destinos desses dois homens irão se cruzar. Benigno cuida de uma jovem chamada Alicia (Leonor Watling) , também em coma , e é completamente apaixonado por ela. Por isso , a trata como se estivesse "normal" , como se ela ouvisse-o e entendesse-o. Ao ver Marco em situação parecida , o enfermeiro passa a incentivá-lo a fazer o mesmo , a falar com ela. Daí o título do filme. A trama parece simples , mas não é. Ao que vai se desenvolvendo , vai ganhando contornos inesperados , bem ao estilo de Almodávar. E esse cineasta mostra mais uma vez todo seu talento e competância ao conduzir brilhantemente a estória , nunca apelando para clichês e nunca se tornando previsível. Pedro também volta a mostrar uma incrível capacidade para dirigir atores. A dupla central tem uma química impressionante. Rosario Flores aparece com uma personagem imponente , mas ao mesmo tempo frágil (como pode ser constatado na cena da cobra na cozinha de sua casa). Leonor Watling é de uma beleza e pureza invejável. Há ainda a sempre competente Geraldine Chaplin (filha de Charles Chaplin), a belíssima participação de Caetano Veloso e espetáculo de Pina Bausch. Resumindo , "Fale com Ela" é um filme imperdível , uma realização genial , uma verdadeira obra-prima. Recomendável para todos , fãs e não-fãs de Pedro Almodóvar. Afinal , quem não gostar do filme em si , ao menos poderá curtir um delicioso curta-metragem mudo , que Pedro insere de forma brilhante no filme."Filme: Corra Lola, Corra!

Filme alemão do ano de 1998 lançou uma tendência que foi aproveitada posteriormente pelo cinema americano: a de contar a mesma história com diferentes desenlaces. Lola precisa correr e salvar a vida do namorado Manni. As teorias que envolvem tempo ou mesmo a alteração de uma verdade foram questionadas em filmes extremamente hollywoodianos como “Efeito Borboleta”, onde é possível se mudar uma história várias vezes. É o que acontece no filme “Corra, Lola, corra”, do ano de 1998, onde Lola (Franka Potente), precisa mudar sua história várias vezes para salvar a vida de seu namorado Manni.
Feito de forma diferente dos filmes tradicionais alemães, a ação consiste no fato de que a personagem passa o filme inteiro correndo. Lola é uma filha de banqueiro que leva um estilo de vida descolado com seu namorado, que trabalha para a máfia. Tudo acontece quando Manni esquece uma bolsa contendo cem mil marcos (moeda alemã) no metrô. Nesse instante, começa a sua corrida, para evitar que seu namorado seja morto pelo seu chefe mafioso. Essa busca desemboca em três diferentes acontecimentos.
A história é contada três vezes, e sempre que Lola fracassa na busca pelo dinheiro (primeiro pedindo ao seu pai, que recusa, depois procurando pela cidade), retorna ao início, e a heroína parece sempre aprender algo de novo. Toda a história monta uma identidade renovada e incomum. Regado por música eletrônica de uma forma que envolve o espectador, o filme também conta com alguns trechos de animação para ilustrar alguns pontos da saga de Lola, que tem os cabelos magnificamente tingidos de vermelho vivo. Em 20 minutos, se ela não correr, Manni irá morrer.
O pensamento de “e se eu tivesse feito tal coisa?” praticamente é a constante, pois Lola volta sempre no tempo, em busca da solução. Entre uma parte e outra, novos detalhes são acrescentados ou retirados. A busca pelo dinheiro é a maior meta da garota, e ela tem apenas 20 minutos para fazer isso. Confronta a tudo e a todos, e também seu maior inimigo: o tempo. Corra, Lola, Corra ganhou alguns prêmios internacionais, como o de Melhor Filme Estrangeiro pelo Independent Spirit Awards. É um filme de tirar o fôlego somente pela personagem principal passar grande parte dele correndo, desesperada, atrás de uma resolução para o grande problema. Os diálogos são rápidos e curtos, e brincam com a idéia de que justamente Lola não tem tempo a perder. O desespero de Lola, e o modo genial como a história é contada, mais a trilha sonora bate-estaca intensa, faz com que o roteiro não seja cansativo, mas sim, arrebatador.
Auguste Rodin - O pensador
O Pensador (francês: Le Penseur) é uma das mais famosas esculturas de bronze do escultor francês Auguste Rodin. Retrata um homem em meditação soberba lutando com uma poderosa força interna.Originalmente chamado de O Poeta, a peça era parte de uma comissão do Museu de Arte Decorativa em Paris para criar um portal monumental baseada na Divina Comédia, de Dante Alighieri. Cada uma das estátuas na peça representavam um dos personagens principais do poema épico. O Pensador originalmente procurava retratar Dante em frente dos Portões do Inferno, ponderando seu grande poema. A escultura está nua porque Rodin queria uma figura heróica à la Michelangelo para representar o pensamento assim como a poesia.Filme: Unidos pelo sangue (3 Needles)
Numa região rural da China, Jin Ping viaja entre pequenas cidades e vilarejos pagando uma quantia em dinheiro a pessoas dispostas a doar sangue. Ela diz que seu negócio é legal, porém revende seu produto no mercado negro. Ao mesmo tempo, em outro canto do mundo, a jovem noviça Clara parte numa missão num local muito pobre da África, no qual as pessoas têm péssimas condições de saúde e saneamento. Já no Canadá, um ator pornô tenta fingir que não é soropositivo para continuar seu trabalho e sustentar a família. Estes três personagens estão Unidos pelo Sangue em histórias sobre a Aids.Produzido no Canadá, o filme expõe os riscos de contaminação da Aids que ocorrem no mundo. A maioria das pessoas que participou das filmagens na África nunca teve contato com o cinema na vida. Entre os figurantes contratados lá, os analfabetos somavam 95%.Filme: 13 visões (Thirteen Conversations About One Thing)
Treze Visões relata cinco histórias contemporâneas, explorando o impacto dramático que as pessoas exercem umas sobre as outras. Uma narrativa cuidadosamente construída ultrapassando o tempo, mostrando um olhar incomum do passado, presente e futuro de cada personagem. As idéias são colocadas de uma forma intrigante e realista do dia-a-dia das pessoas. Talvez o destino seja um produto das escolhas que fazemos, do significado da verdadeira felicidade, da noção de carma, do eterno poder da esperança, que de alguma forma atingem com grande relevância esse mundo cada vez mais frenético e deslocado. Uma lição de vida passada em treze visões, com treze versões diferentes, mas com um único objetivo em comum: há sempre uma luz no fim do túnel, ainda que não possamos vê-la. Com Matthew McConaughey, John Turturro e Alan Arkin e muito mais...Filme: Filhos do Paraíso (Children of heaven)
Sempre que me pedem sugestão de um filme, indico Filhos do Paraíso, belíssimo vídeo iraniano do diretor Majid Majidi, que em 1999, juntamente com Central do Brasil, de Walter Salles Jr. e A vida é bela, de Roberto Benigni, disputaram o Oscar de melhor filme estrangeiro, sendo vencedor o filme italiano, da distribuidora norte-americana Miramax. Nada contra o filme de Benigni, que é uma delirante fantasia. Contudo, apesar de ser também escritor de ficção, creio que coisa mais fantástica que a realidade não há. O filme iraniano é inspirado num fato real: dois irmãos (menino e menina) têm que dividir o mesmo par de tênis velho para irem à escola, visto que o menino, logo no início da película, perde o surrado par de sapatos da irmã, este recém vindo do conserto. Ou melhor, deixa num canto, enquanto compra legumes pro almoço,e um catador de lixo, vendo o péssimo estado dos mesmos, cr~e que tinha sido largado na rua, como lixo. A partir daí, o irmão começa a dividir seu par de tênis com a irmã menor, que estuda pela manhã e ele a aguarda chegar, para calçar o mesmo par e ir correndo para a escola, no turno da tarde. O diretor da escola, vendo apenas a "ponta do iceberg" começa a ameaçar o menino de expulsão se continuar com os seguidos atrasos, mas é um professor de educação física que vê no aluno um talento natural para o esporte. Nesse corre-corre e troca-troca, o jovem acaba se destacando por sua velocidade e é inscrito numa corrida, onde o 3º lugar é justo um par de tênis novos - para os dois irmãos, muito melhor que os primeiros lugares: viagem à colônia de férias, que eles jamais tinham ido também. Cruel dilema, que não conto o final, evidentemente, para que todos vejam o filme.História tocante, simples e bem contada, mostrando outra faceta do povo iraniano, que comumente têm sua imagem associada, na cultura ocidental, ao fanatismo religioso, terrorismo e a opressão. Por sinal, nesse jogo de sinuca mundial, o Irã, por "suspeitas" de ter a bomba atômica, parece ser a “bola da vez” da máquina de guerra do Tio Sam.Livro: A distância entre nós - Thrity Umrigar
A distância entre nós, de Thrity Umrigar, é ambientalizado em Bombaim, na Índia, nos dias atuais. O livro conta a história de Bhima e Serabai, oscilando entre flashbacks e narração em tempo real, o que amarra o leitor a cada capítulo e praticamente o força a prosseguir a leitura sem parar. Bhima é uma mulher pobre, analfabeta e ignorante, que, durante toda a sua vida, limpou casas, lavou louças e perdeu quem amava. Serabai é a patroa. Sendo filha de cientista, é uma mulher culta e instruída, mas que deixou que sua vida se perdesse nas mãos de um marido violento e de uma sogra maléfica. A autora construiu um drama previsível e, sem nenhum pudor, fugiu de dar um final à história, mas leva a narração de maneira tão penetrante e com descrições tão sutis e leves que a sinopse está absolutamente certa quando afirma “você não conseguirá parar de lê-lo, e não será o mesmo quando alcançar a última página”.Teatro: O sonho - August Strindberg- Peça simplesmente maravilhosa!
A peça conta a história de Inês, filha do deus Indra, que se perde e desce à Terra para experimentar a existência humana. Em sua passagem pela vida, a deusa questiona os homens sobre seu modo viciado e acomodado de viver.As personagens e suas ações distorcem a noção de tempo e espaço, enfatizando a idéia de que o mundo e a realidade são mera ilusão.Em abril de 1907, O Sonho foi encenado pela primeira vez. A peça começou a ser escrita no outono de 1901, quando Strindberg casou-se com Harried Bosse. Pouco tempo depois Harried o abandonou, levando consigo o sonho da felicidade matrimonial. Sofrendo sozinho por quarenta dias, Strindberg concluiu que a vida é uma ilusão na qual se é incapaz de realizar os sonhos. A peça foi concluída no final desse mesmo ano. O título, A Dream Play, traduzido como O Sonho, também pode ser entendido como “Uma Peça de Sonho” ou “Uma peça que sonhei”, isto é, o drama que o autor idealizou. Strindberg, inclusive, refere-se à obra como “minha peça mais querida, filha de minha melhor dor”. O tema inicial da peça girava em torno da história de um homem que esperava por sua noiva num teatro. A espera era em vão, pois ela nunca chegaria. O foco, porém, passou para o que antes era apenas um “sub-enredo”: a personagem principal agora era a filha de Indra, que veio à terra para compartilhar as agonias da existência humana. O Sonho é talvez o primeiro drama a conter o universo onírico como realidade, como gênero em si. Peças tradicionais já haviam incorporado cenas ilustrando sonhos ou pesadelos, mas nenhuma se baseou inteiramente nisso. Deste modo, Strindberg abandonou a percepção convencional de tempo e espaço.Segundo suas próprias palavras, “o autor atentou para a figura inconseqüente do sonho. Tudo pode acontecer, tudo é possível e provável. Tempo e lugar não existem; numa base insignificante de realidade, a imaginação gira, modelando novos padrões; há a mistura de memórias, experiências, livres fantasias, incongruitudes e improvisações. As personagens se duplicam, se multiplicam, se separam, evaporam, condensam, dispersam, reúnem. Mas uma percepção governa sobre todas elas : para o sonhador não há segredos, escrúpulos, leis. O sonho não absolve ou justifica condenações, somente as relata. Tal como no sonho é mais freqüente o sofrimento que a felicidade, esse conto bruxuleante é acompanhado de uma dose de melancolia e compaixão por todos os seres humanos.”À frente de seu tempo, Strindberg baseava-se em filosofias orientais para justificar sua crença de que o mundo é apenas ilusão. Estreando “O sonho” no teatro, o autor fez algumas anotações em seu diário. De acordo com elas, “ o amor é um pecado e sua dor é o melhor inferno que existe. Se o mundo existe, existe através do pecado (do amor, das relações carnais, de Maya), e por isso é apenas um sonho, uma ilusão. Assim se justifica a minha peça do sonho (“my dream play”) ser uma fotografia da vida. Esse mundo, o sonho, é um fantasma cuja destruição é a missão dos ascetas (aqueles que negaram a carne e vivem do espírito). Mas tal missão entra em conflito com o instinto do amor, que oscila entre a sensualidade e o sofrimento trazido pelo remorso (a culpa cristã que também se instalou nos ascetas). Isso me parece a resposta para o enigma da vida...Filme: A vida de Brian (Monty Phyton)
Filme: O Homem Elefante (David Lynch)

David Lynch deve sua carreira ao homem-elefante e Anthony Hopkins deve a sua à David Lynch. Trocadilho bobo a parte, Lynch faz do filme algo magnífico, elevando-o aos mais altos pilares que um longa pode chegar, lançando-se, a partir de então, como um grande diretor, que posteriormente produziria filmes como "A Estrada Perdida" e "Veludo Azul", entre outros. Hopkins aproveita a chance e brilha tanto quanto o diretor. Com uma atuação convincente e verdadeira. Mas o show ainda estava por vir. E ficou por conta de John Hurt, o ficcional homem-elefante de David Lynch. Absolutamente surreal é como descrevo a interpretação de Hurt. Com uma maquiagem perfeita para época(1980), que nem sequer foi reconhecida pelas principais premiações, Hurt dá um show e aproveita a chance para receber aquela que seria sua única indicação ao Oscar de melhor ator.
O Homem Elefante é um filme imperdivel, dono de 8 indicações ao Oscar, 4 ao Globo de Ouro e 7 ao BAFTA. Uma obra emocionante sobre a ignorância, a inteligência e o carinho que um ser humano pode ter para com o outro.
Filme: Laranja Mecânica (Stanley Kubrick)
As imagens inesquecíveis, a música arrebatadora, e a linguagem fascinante utilizada por Alex e sua gangue, foram moldadas por Kubrick neste conto sobre os caminhos da moralidade. Extremamente controvertido na época de seu lançamento, "Laranja Mecânica" ganhou os prêmios de Melhor Filme e Melhor Direção da Associação dos Críticos de Cinema de Nova York, e recebeu quatro indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme. O poder de sua arte é tamanha que ainda nos atrai, choca e nos mantém preso em seu domínio. Hoje, a temática do filme é tão atual quanto nos anos 70.01 setembro 2008
Livro: O perfume (Das Parfüm - Patrick Süskind)
Grenouille, por ter nascido sem cheiro próprio, desenvolve uma técnica de olfato requintado, criando os perfumes mais refinados do mundo. No entanto, o seu trabalho dá uma reviravolta enquanto ele procura a fragrância ideal. Intrigante!
O filme foi rodado em Barcelona e sul da França.
Excelente!
21 julho 2008
Filme: Uma mulher contra Hitler (Sophie Scholl- The final days)
O filme de Marc Rothemund narra os últimos cinco dias de vida da jovem Sophie Scholl: estudante, ativista, membro do grupo de resistência Weisse Rose (Rosa Branca), que lotou caixas de correio principalmente do sul do país com cartas conclamando à resistência ao terror nazista.A câmera acompanha Sophie aonde quer que ela vá: da cela à sala de Mohr, ao banheiro, ao tribunal, ao último cigarro, à sala de execução. O filme é modelado para Julia Jentsch: é óbvio que ela é a estrela. O que se passa ao lado, durante o interrogatório do irmão, é uma incógnita. A partir do momento em que fica sabendo da confissão do irmão, Sophie deixa de mentir: "Eu fiz tudo... e me orgulho disso".
Isso prova a grande força que o cinema alemão está tomando desde Adeus, Lênin!, Edukators, A Queda e agora “Uma Mulher Contra Hitler”.
Filme: Paradise now
O que leva uma pessoa a amarrar explosivos no próprio corpo e detoná-los com o objetivo de destruir o que (ou quem) quer que seja? O verdadeiro tema de Paradise Now, que é a trajetória de homens comuns rumo ao absurdo do ataque suicida. Para isso, acompanhamos toda a cerimônia de preparação de Said e Khaled, que combina elementos religiosos e políticos, como a gravação de mensagens para a família e a imprensa. Neste ponto, Abu-Assad volta a destruir qualquer caráter grandioso que o processo possa apresentar ao incluir pequenos momentos de humor nos quais vemos os protagonistas cometendo erros durante os discursos ou mesmo enviando recados absolutamente prosaicos para os parentes – uma forma interessante de lembrar o espectador de que, apesar do que estão prestes a fazer, aqueles `mártires` são humanos e comuns.
"Miséria na fartura" - Qual o nosso papel? Ilustrando: Portinari
A nossa revolução tem seus grandes livros, suas grandes obras.
Em cada pensamento, em cada movimento, em cada sopro da nossa vida ressoa a glória do novo cidadão do mundo. Teremos ombros suficientemente fortes para assumir esse enorme peso?
O único objetivo dos nossos esforços só pode ser uma sociedade em que seja abolida toda e qualquer forma de exploração do homem pelo homem.
Liberdade pra ensinar e liberdade pra aprender. Alguém precisa pensar acima da massa!Devemos lutar contra qualquer forma de discriminação, contra a dominação econômica dos indivíduos ou das classes sociais, contra o desengano, contra o autoritarismo, contra a ordem capitalista vigente que inventou: “a miséria na fartura”.
Geisa Garcia - 2002
15 julho 2008
Filme: Onde os fracos não tem vez (Com Javier Bardem)
É um grande filme, por seu cinismo e qualidades, além de ter um elenco afinadíssimo e um dos melhores vilões de todos os tempos (talvez até um concorrente de Hannibal Lecter). Muitíssimos comentários sobre a interpretação de Javier Bardem. Realmente, o ator espanhol está fantástico no papel do vilão desta história. Sem parecer exagerada – e talvez esteja sendo, um pouco -, mas considero a interpretação dele. No Country for Old Men realmente é muito bom. Reúne as melhores características dos irmãos Coen: roteiro inteligente, frases impagáveis, direção cuidadosa e atenta aos detalhes e às interpretações. Enfim, elementos do bom e velho cinema bem-feito. Exemplo de pontos altos do filme: o diálogo entre Anton Chigurh e o proprietário do posto de gasolina (Gene Jones) no meio do nada. Para um homem que matar é algo tão natural e fácil quando caminhar, algumas vezes a decisão sobre tirar uma vida tem que passar por algum crivo, nem que seja uma moeda. o filme trata de uma caçada humana e, como na Natureza, vence o animal mais forte, mais preparado. Como qualquer história bem escrita, aqui também o espectador fica na dúvida para quem torcer. Afinal, não entra na balança os elementos que movem um ou outro personagem, mas o seu carisma e a sua estratégia de sobrevivência. No fundo, por mais que tenhamos uma idéia de “torcer pelo mais fraco”, muitas vezes aplaudimos justamente quando o forte ganha. Talvez efeito da nossa permanente luta interna entre nosso lado primitivo e nosso lado racional, com critérios e ajustes sociais.
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